
O desejo de estar lá morava em mim havia semanas. Aquela necessidade tão forte quanto a de reencontrar minha mãe esses dias atrás. Algo me dizia que eu deveria subir, subir, e subir. Até chegar naquela árvore, onde a muitos anos eu havia marcado meu nome na casca, com um estilete velho, que papai tinha me dado a alguns natais passados. Aquele lugar tinha meu nome, minha marca, e meu anjo adorava o cheiro. Cheiro de orvalho, mesmo no final da tarde. Cheiro de vida, mesmo sem a chuva a semanas. Cheiro de grandiosidade, de simplicidade, harmonia e cheiro de lar.
E o que eu poderia fazer? Aquela vista marejava meus olhos, e era a melhor sensação que eu conhecia até agora. Eu precisava ir.
Olhar de novo, lá do alto, foi mais uma vez surpreendente. E eu imaginei, mais uma vez, que um palmo me separava do céu, que Deus me envolve – sempre; e que tempo, eu tenho o suficiente pra fazer tudo dar certo aqui embaixo – e dessa vez eu precisava ter
certeza, que o que eu imaginei era real.