
Ela me olhava assustada. Assustada demais pra quem dizia querer estar exatamente ali.
Eu? Eu estava sem reação, completamente perdido. Não sabia o que fazer, não sabia como relar nela, e era exatamente isso que eu estava louco para fazer.
Daniela fazia parte de mim a algum tempo. Era parte essencial do meu todo e eu já não me enchergava sem ela. Mas essa situação toda parecia forçada, estranha demais. Nenhum de nós dois, sabia como reagir.
Eu tinha ido consolá-la. Julieta havia sofrido um acidente - era sua melhor amiga. Na verdade estavamos todos juntos naquela noite. Uma reunião de amigos íntimos, amigos de verdade, aqueles que ' pode o tempo passar, pode o mundo girar, que eu te juro amigo, nossa amizade é de durar'- como diz a canção de um amigo meu. Era um acampamento, uma viagem de férias, queríamos ficar todos juntos, e essa foi a solução. O problema, é que Julieta tinha que voltar pra casa três dias antes, seu pai passaria pelo Brasil só pra lhe dar um abraço, e ela deveria estar lá, prontinha, como se fosse uma boa garota (até colocaria um vestidinho de florzinha se fosse preciso), então ela bebeu. Sim, aquilo a matava. Fingir ser alguém que ela não era, pra deixar outra pessoa feliz, era insuportável pra ela, era insuportavel até pra nós.
E ela bebeu, pegou seu carro as duas da manhã, e foi embora. Estavamos todos acordados, nos despedindo. E desejando a única coisa qe poderíamos desejar : - Força.
Então na manhã seguinte, recebemos a notícia. Se deram ao trabalho de pegar um carro e nos avisar. Ficamos chocados, todos paralisados. E no fim, sucumbimos as lágrimas.
Mas Dani precisava de mim. E eu estaria forte por ela até o fim. O único problema, é que estavamos tentando dissolver tudo o que tinha acontecido.